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Custos para arrematar imóvel em leilão: o guia dos 3 blocos

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Um imóvel avaliado em R$ 200 mil arrematado por R$ 100 mil parece um lucro de R$ 100 mil. Não é. Esse é o erro de cálculo que mais cedo tira o iniciante do jogo nos leilões de imóveis: confundir o desconto sobre o valor de mercado com o dinheiro que de fato entra no bolso no fim da operação.

Conhecer todos os custos para arrematar imóvel em leilão é o que separa quem faz uma conta de padaria de quem fecha negócio com rentabilidade real. Neste guia, você vai aprender a listar e estimar cada gasto de uma operação — do martelo à venda — e a decidir, antes de dar o lance, se ela compensa. Vamos organizar tudo em três blocos: custos de desembaraço, custos de reforma e custos de venda, com percentuais, exceções pouco divulgadas e um exemplo numérico para fechar a conta.

Por que o desconto do leilão não é o seu lucro

O desconto é o ponto de partida do negócio, não o resultado dele. Entre o momento em que você arremata e o momento em que recebe pela revenda, existe uma fila de custos que consome parte daquela diferença atraente que apareceu no edital.

Pense na fórmula simples que todo arrematante deveria ter na cabeça: valor de mercado menos lance menos custos é igual ao lucro real. O desconto mexe só nas duas primeiras parcelas. Os custos — que muita gente ignora — definem o que sobra.

Se você achar que o imóvel vale 200, está comprando por 150 e vai colocar R$ 50 mil no bolso, não vai. Você tem que saber calcular os custos.

Por isso, antes de se empolgar com a porcentagem de desconto, vale conhecer cada bloco de gasto. É o que fazemos a seguir.

Bloco 1: custos burocráticos e de desembaraço

Este é o primeiro grupo de taxas de leilão de imóvel, e incide logo na largada — entre arrematar e colocar o bem regularizado no seu nome. São custos previsíveis, o que é bom: dá para estimá-los com precisão antes do lance.

São basicamente quatro: a comissão do leiloeiro, o ITBI, os emolumentos cartoriais e a eventual desocupação (que merece seção própria mais adiante). Vamos aos três primeiros.

Comissão do leiloeiro (5%)

Quando há leiloeiro oficial conduzindo o certame, a comissão padrão é de 5% sobre o valor de arrematação, paga pelo arrematante. Há uma exceção importante: vendas online e compras diretas pela Caixa Econômica Federal normalmente não têm essa comissão.

5% de comissão do leiloeiro, se houver leiloeiro na jogada (lembrando que venda online, compra direta da Caixa, não tem).

ITBI: o imposto municipal que varia por cidade

O ITBI (Imposto de Transmissão de Bens Imóveis) fica, em geral, entre 2% e 3% do valor do imóvel. Atenção a um detalhe que confunde muita gente: ele é municipal, não estadual. Ou seja, a alíquota muda de cidade para cidade.

Na prática, sempre que for estimar esse custo, pesquise "alíquota ITBI" seguido do nome do município — nunca do estado. É um cuidado pequeno que evita erro na conta.

Emolumentos cartoriais e quando você dispensa a escritura

O cartório de registro de imóveis você sempre vai ter — é monopólio, não tem como fugir. Já os emolumentos do cartório de notas (a escritura) podem ser dispensados em três situações: arrematações abaixo de 30 salários mínimos, imóveis financiados e arrematações judiciais.

A lógica é direta: abaixo de 30 salários mínimos, resolve-se com contrato de compra e venda; no financiamento, o contrato tem força de escritura pública; e no leilão judicial, você recebe a carta de arrematação, que faz esse papel.

Conhecidos os custos de entrada, o próximo bloco depende de uma decisão sua: reformar ou não.

Bloco 2: custos de reforma para revender

Com o imóvel registrado, você já poderia anunciá-lo. Mas, por vezes, vale a pena investir em reforma para vender mais rápido e por um preço melhor. A regra geral é simples: quase todo imóvel pede, no mínimo, tinta.

Você sempre vai ter tinta. Sempre vale a pena passar um rolo de tinta para deixar o imóvel brilhando e não ter objeção de imóvel sujo.

A exceção são imóveis que nunca foram ocupados — apartamentos de programas como o Minha Casa Minha Vida, ou de construtoras como Tenda e MRV, que saem novos. Fora esses casos, há um nível acima da tinta: a reforma de reposicionamento, que tira objeções do comprador. Trocar o básico, espelhos de tomada e plafons de LED; arrumar banheiro e cozinha quando estão ruins.

O ponto é projetar esse gasto desde o começo. Travar com um imóvel difícil de vender custa mais caro do que os R$ 20 mil a R$ 30 mil que, às vezes, resolveriam o problema e acelerariam a venda. Resta, então, o último bloco: o da saída.

Bloco 3: custos da venda do imóvel arrematado

Vender também tem custo, e ele entra na conta da rentabilidade. São três itens principais.

O primeiro é o corretor, por volta de 6% — que dá para enxergar mais como investimento do que como gasto, porque corretores da região têm lead qualificada e aceleram a venda. Você pode complementar com anúncio próprio, mas dificilmente vale a pena abrir mão deles.

O segundo é o imposto na venda de imóvel arrematado: o Imposto de Renda sobre o ganho de capital, hoje em 15% para pessoa física. Aqui vale a inversão de lógica do investidor.

Só tem imposto quando tem lucro. Se você está torcendo para não pagar imposto, está torcendo para não lucrar.

O terceiro são os gastos com o anúncio particular, quando você decide divulgar por conta própria. Para quem é da comunidade Smart, a FlipLink faz esse anúncio gratuitamente; para os demais, é um custo a computar. Mas há um custo que não é fixo e que muita gente esquece de incluir: a desocupação.

Quando o custo de desocupação entra na conta

Imóvel ocupado não é problema impeditivo, mas é uma variável de custo e de tempo. A desocupação pode sair por bem ou por mal — na conversa e num acordo, ou pela via judicial, com advogado e custas.

Você vai desocupá-lo por bem ou por mal, no amor ou na base da bufunfa.

E aqui entra o custo mais silencioso de todos: o tempo. Imóvel parado na sua mão corrói a rentabilidade. Por isso, a recomendação prática é ser conservador na projeção: simule a revenda em 12 meses no leilão extrajudicial e em 16 a 18 meses no judicial, porque a justiça é mais lenta.

O que vier antes é lucro, mas temos que ser conservadores, porque o imóvel parado na nossa mão corrói a rentabilidade.

Se vender antes, ótimo — é lucro adiantado. Mas, ao projetar o prazo maior, você garante que a operação fecha mesmo no pior cenário. Com todos os blocos na mesa, é hora de juntar os números.

Exemplo prático: simulando a viabilidade de uma arrematação

Imagine uma operação simples. Você arremata por R$ 50 mil e estima mais R$ 20 mil entre registro, impostos e uma reforma leve. A conta macro já mostra o investimento total real: R$ 70 mil, não os R$ 50 mil do lance.

Comprei por R$ 50 mil, estimo mais R$ 20 mil de custos com registro, imposto e reforma.

Some a esse total os custos de venda — corretor de 6% e, havendo lucro, 15% de IR sobre o ganho — e o tempo até a revenda. Só então você sabe se a margem é boa. É exatamente por isso que projetar tudo antes do lance faz diferença.

Veja o caso real do Edson, que comentou na live: ele levou 13 meses entre compra, reforma e venda. Como tinha simulado a revenda em 12 meses, o mês extra não tirou o sono dele — a operação seguiu dentro do ROI planejado.

Após a venda, levei 5 meses. No total foram 13 meses entre compra, reforma e venda.

A lição: uma estimativa conservadora transforma surpresas em detalhes. Ferramentas como a calculadora Smart automatizam essa projeção dos três blocos, mas o raciocínio é o que importa. E ele vem com um contrapeso necessário.

O erro de pegar pelo em ovo: até onde detalhar os custos

Calcular bem não é caçar centavos. Tem arrematante que trava a operação tentando prever cada gasto irrisório — pedágio para o corretor chegar ao imóvel, R$ 1.000 ou R$ 2.000 de conta de luz atrasada — e perde negócios bons por excesso de zelo.

Se R$ 1.000, R$ 2.000 vai te tirar do jogo, é porque a sua arrematação tem rentabilidade ruim.

A régua é essa: se um gasto pequeno é capaz de inviabilizar o negócio, o problema não é o gasto — é a margem apertada da arrematação. Faça a simulação macro, dê conta dos três blocos e siga em frente. Afinal, de que adianta uma planilha perfeita se ela impede você de colocar vários imóveis no funil?

Perguntas frequentes

Quanto é a comissão do leiloeiro em imóvel? Em regra, 5% sobre o valor de arrematação, paga pelo arrematante, quando há leiloeiro oficial conduzindo o leilão. Vendas online e compras diretas pela Caixa Econômica Federal normalmente não cobram essa comissão. Confirme sempre no edital, pois condições específicas podem variar.

Quem paga o ITBI no leilão de imóvel e qual a alíquota? Quem paga é o arrematante. O ITBI é um imposto municipal e costuma ficar entre 2% e 3% do valor do imóvel, mas a alíquota varia conforme a cidade. Por isso, pesquise sempre a alíquota do município do imóvel, e não a do estado.

Preciso pagar escritura em cartório se o imóvel for financiado ou judicial? Não necessariamente. No imóvel financiado, o contrato de financiamento tem força de escritura pública; no leilão judicial, a carta de arrematação cumpre esse papel; e abaixo de 30 salários mínimos, resolve-se por contrato de compra e venda. O registro no cartório de imóveis, porém, é sempre obrigatório.

Tem imposto de renda na venda de imóvel de leilão? Sim. Há Imposto de Renda de 15% sobre o ganho de capital para pessoa física, na venda com lucro. O imposto só incide quando existe lucro — ou seja, sobre a diferença positiva entre o valor de venda e o custo total da operação.

Quanto custa desocupar um imóvel arrematado? Não há valor fixo. A desocupação pode envolver custas judiciais e honorários de advogado, ou um acordo com auxílio mudança e aluguéis para o ocupante. Por isso, esse custo — e o tempo que ele consome — deve entrar na projeção de viabilidade antes do lance.

Calcule sua operação com a calculadora Smart

Conhecer os três blocos de custo é o que transforma um desconto bonito em lucro de verdade. O próximo passo é botar os números no papel antes de dar qualquer lance. A calculadora Smart projeta os custos de desembaraço, reforma e venda e mostra a sua rentabilidade real, para você só arrematar o que fecha a conta.

Quer ver esse raciocínio na prática, com os exemplos comentados ao vivo? Assista à live completa sobre os erros de quem está começando nos leilões e simule sua próxima operação com a calculadora Smart.